Cortando o cordão “extra umbilical”


[GUSTAVO – 2 anos e 3 meses]

Há uns 4 ou 5 meses atrás nos deparamos com um problema.. Gustavo não podia ficar sequer 1 minuto sem me ver ao redor. Não era de surpreender já que ele passava 24h por dia comido, mamava no peito e etc.. Um dia eu estava completamente exausta e pedi que o papai fosse ao parquinho com ele pra eu poder respirar por alguns minutos… Assim que ele percebeu que eu não iria junto, desistiu de ir brincar. Que criança desiste de brincar? Isso me assutou. Eu precisava daquele tempo então o papai o pegou no colo e desceu. Eu podia ouvir os berros de longe, muito longe.. Não paravam.. Eu não aguentei aquilo e, claro, desci atrás dos dois.. Quando ele me viu se acalmou e logo passou a brincar mas bem atento se eu estava sob os olhos dele, de preferência bem perto. Aquilo realmente me espantou. Era o pai e não um estranho que o havia tirado de perto de mim e pra fazer algo que ele adora.. não tinha motivos para aquele escândalo. Depois disso ele não quis mais saber de descer sem mim, quando percebia a movimentação já grudava em mim, o que tornou tudo ainda mais exaustivo.

Um episódio que me marcou foi quando desci com os sacos de lixo para jogar na garagem e na volta, antes que o elevador abrisse, já ouvia os berros. Aquilo não podia ser saudável! Mas não fazia ideia de como lidar, já que o “tratamento de choque” do parquinho só tinha piorado a situação toda.

Assim que descobrimos a nova gestação, há uns 2 meses, Gu desmamou sozinho e isso foi o empurrão que eu precisava… Ele já não dependia mais de mim pra mamar ou dormir.. No almoço de Natal havíamos combinado de ir para a minha sogra mas eu estava muito mal com os enjôos e enxaqueca e disse para que fossem só os dois.. Passei mil recomendações, fiz uma mala com tudo oq poderiam precisar pra passar uma tarde e lá se foram.. Na despedida Gu ficou um pouco ansioso por perceber que a mamãe não estava indo, mas o papai o convenceu a ir com balas de goma..

Depois desse dia, parece que Gu abriu os olhos para um novo mundo.. Acho que ele percebeu como era divertido passear com o papai e que não precisava da mamãe…

Pausa para um desabafo aos julgamentos: “Sempre ouço que essa dependência excessiva é causada pela mãe, que nós é que não conseguimos nos separar dos nossos filhos.. Quem pensa isso vá pra put a keep are you!!!!”

Continuando.. A partir dalí Gu começou a descer sozinho com o papai para o parquinho, ir à piscina, fazer compras ou mesmo ficar em casa enquanto eu saía pra fazer algo…Aos pouquinhos fomos cortando o cordão extra umbilical..

Outro passo importante que demos foi a hora de dormir. Mesmo não mamando no peito, Gu precisava de mim pra adormecer. Criamos uma rotina de sono bem estabelecida. Banho com o papai, alguns minutinhos de desenho enquanto nós o vestimos, escovamos os dentinhos e preparamos o mamá. Depois disso, no começo, todos íamos para o quarto dele e, enquanto ele mamava, o papai contava uma história, orávamos e esperávamos ele dormir. De uns dias pra cá eu deixei de participar desse momento. Primeiro porque a gestação tem me deixado exausta e posso aproveitar para descansar um pouquinho mais, segundo porque já imagino que com a Rafa no pedaço, posso precisar sair pra amamentar então exercitamos mais esse corte do cordão. Quando eu dou boa noite e digo que o papai está em seu quarto esperando por ele, Gu vem, deita comigo, me abraça, cheira fundo meu peito, diz “a mamãe tá atí” e vai pro seu quarto tristinho. Logo encontra o papai e a rotina é seguida sem nenhum problema.

Mais um passo para a independência foi a escolha da escolinha de natação. Fizemos três aulas experimentais em diferentes escolas. Duas delas a mãe fica com o bebê na água fazendo as atividades até que ele complete 3 anos. Gu reagiu como sempre faz. Brincava solto quando se sentia seguro, no raso ou fora, mas dentro, com seu corpo coberto de água até quase o pescoço, ficava inseguro, embora muito feliz, mas sempre agarrado à mim.
Na terceira escola, e a que escolhemos para ele, a piscina é rasa o suficiente para que todas as crianças de 2 anos fiquem livres e sozinhas. Os pais e mães assistem de fora, do outro lado do vidro. Já na primeira aula teste não precisei entrar e Gu ficou muito a vontade com tudo aquilo e com o professor incrível.

Mais do que um tempo para que eu possa respirar, essas mudanças são muito importantes para ele agora que terá que dividir a atenção com uma irmã e que daqui há pouco irá para a escolinha.
Tudo o que fazemos na educação do nosso filho é gradativo, com muita paciência, muito amor e dedicação, respeitando sempre o tempo dele e suas necessidades como um indivíduo único que ele é.

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  1. Fevereiro 21, 2016

    Oi Karen, gostosos de ler você, porque todas nós passamos por isso e aqui em casa eu também escolhi fazer as coisas de forma gradativa, respeitando o tempo e os limites do meu filho… eu escrevi no meu blog sobre isso pois muitas mães que tem o filho nesta mesma idade também falam sobre esse "grude" que a criança fica… falei lá sobre o amadurecimento social e angustia da separação… como eu disse lá no insta, eu tbm vou ter outro bebê e fico preocupada com o tempo que estarei no hospital… beijos pra vc
    http://diariodeumamadora.blogspot.com.br/

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